terça-feira, 23 de outubro de 2012

Que amor sigo?...

Que amor sigo? Que busco? Que desejo?
Que enleo é este vão da fantasia?
Que tive, que perdi, quem me queria?
Quem me faz guerra, contra quem pelejo?

Foi por encantamento o meu desejo,
E por sombra passou minha alegria,
Mostrou-me Amor dormindo o que não via,
E eu ceguei do que vi, pois já não vejo.

Fez à sua medida o pensamento
Aquela estranha e nova fermosura,
E aquele parecer quasi divino.

Ou imaginação, sombra ou figura,
É certo e verdadeiro meu tormento,
Eu morro do que vi, do que imagino.

Francisco Rodrigues Lobo (c.1574?-1621)





domingo, 21 de outubro de 2012

Remember me when I am gone away

Remember me when I am gone away,
Gone far away into the silent land;
When you can no more hold me by the hand,
Nor I half turn to go yet turning stay.
Remember me when no more day by day
You tell me of our future that you plann'd:
Only remember me; you understand
It will be late to counsel then or pray.
Yet if you should forget me for a while
And afterwards remember, do not grieve:
For if the darkness and corruption leave
A vestige of the thoughts that once I had,
Better by far you should forget and smile
Than that you should remember and be sad.

Christina Georgina Rossetti

Harold Feinstein 1950s
gif de Nicolas Monterrat

sábado, 13 de outubro de 2012

Tomorrow, and tomorrow...

“Tomorrow, and tomorrow, and tomorrow
Creeps in this petty pace from day to day,
To the last syllable of recorded time;
And all our yesterdays have lighted fools
The way to dusty death.
Out, out, brief candle!
Life’s but a walking shadow, a poor player
That struts and frets his hour upon the stage
And then is heard no more. It is a tale
Told by an idiot, full of sound and fury
Signifying nothing.”

William Shakespeare, Macbeth


A. Scarpulla

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Sonata para Violino


de Jean-Marie Leclair (1697-1764)

terça-feira, 9 de outubro de 2012

A morte virá e terá os teus olhos

A morte virá e terá os teus olhos –
esta morte que nos acompanha
da manhã à noite, insone,
surda, como um velho remorso
ou um vício absurdo. Os teus olhos
serão uma palavra vã,
um grito calado, um silêncio.
Assim os vês cada manhã
quando, sob ti só, pendes
no espelho. Oh, que esperança,
nesse dia saberemos, também nós,
que és a vida e és o nada.

A morte tem um olhar para todos.
A morte virá e terá os teus olhos.
Será como deixar um vício,
como ver no espelho
ressurgir uma face morta,
como ouvir os lábios fechados.
Desceremos mudos ao abismo.


Cesare Pavese (trad. de José Carlos Brandão)

Vladimir Clavijo

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