sábado, 13 de outubro de 2012

Tomorrow, and tomorrow...

“Tomorrow, and tomorrow, and tomorrow
Creeps in this petty pace from day to day,
To the last syllable of recorded time;
And all our yesterdays have lighted fools
The way to dusty death.
Out, out, brief candle!
Life’s but a walking shadow, a poor player
That struts and frets his hour upon the stage
And then is heard no more. It is a tale
Told by an idiot, full of sound and fury
Signifying nothing.”

William Shakespeare, Macbeth


A. Scarpulla

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Sonata para Violino


de Jean-Marie Leclair (1697-1764)

terça-feira, 9 de outubro de 2012

A morte virá e terá os teus olhos

A morte virá e terá os teus olhos –
esta morte que nos acompanha
da manhã à noite, insone,
surda, como um velho remorso
ou um vício absurdo. Os teus olhos
serão uma palavra vã,
um grito calado, um silêncio.
Assim os vês cada manhã
quando, sob ti só, pendes
no espelho. Oh, que esperança,
nesse dia saberemos, também nós,
que és a vida e és o nada.

A morte tem um olhar para todos.
A morte virá e terá os teus olhos.
Será como deixar um vício,
como ver no espelho
ressurgir uma face morta,
como ouvir os lábios fechados.
Desceremos mudos ao abismo.


Cesare Pavese (trad. de José Carlos Brandão)

Vladimir Clavijo

domingo, 7 de outubro de 2012

O que é a morte?

Charles Nevols


O que é o caminho?
anúncio de partida
escrito em folhas
que o pó desenhou.

O que é o pó?
futuro do corpo.

O que é um espelho?
uma segunda face
um terceiro olho.

O que é uma rosa?
cabeça a decapitar.

O que é a morte?
carro que leva
do útero da mulher
ao útero da terra.

O que é o anoitecer?
discurso de despedida.

O que é a lágrima?
guerra perdida pelo corpo.

O que é o desespero?
descrição da vida na língua da morte.

O que é a coincidência?
fruto na árvore do vento
caindo entre as mãos
sem se saber.

O que é o não sentido?
doença que mais se propaga.

O que é a memória?
casa habitada só
por coisas ausentes.

O que é a poesia?
navios que navegam, sem portos.

O que é a história?
um cego a tocar tambor.

O que é a sorte?
dado
na mão do tempo.

O que é a linha reta?
soma de linhas tortas
invisíveis.

O que é o tempo?
veste que usamos
sem poder tirar.

O que é a melancolia?
anoitecer no espaço do corpo.

O que é o sentido?
início do não sentido
e seu fim.

O que é a velhice?
planta que cresce em duas direções:
a aurora da infância
a noite da morte.

O que é viver?
caminhar sem pausa
rumo ao anoitecer.


trechos do poema "Guia para viajar pelas florestas do sentido", de Adonis

  Durme, Hermosa Donzella (Berceuse Sefardi, Rhodes) by Montserrat Figueras, Jordi Savall, Arianna Savall, Ferran Savall, Pedro Estevan on Grooveshark

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Do not go gentle into that good night

Do not go gentle into that good night,
Old age should burn and rave at close of day;
Rage, rage against the dying of the light.

Though wise men at their end know dark is right,
Because their words had forked no lightning they
Do not go gentle into that good night.

Good men, the last wave by, crying how bright
Their frail deeds might have danced in a green bay,
Rage, rage against the dying of the light.

Wild men who caught and sang the sun in flight,
And learn, too late, they grieved it on its way,
Do not go gentle into that good night.

Grave men, near death, who see with blinding sight
Blind eyes could blaze like meteors and be gay,
Rage, rage against the dying of the light.

And you, my father, there on the sad height,
Curse, bless me now with your fierce tears, I pray.
Do not go gentle into that good night.
Rage, rage against the dying of the light.


Dylan Thomas

Edvard Munch, Love and Pain, 1893-94

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